domingo, março 07, 2010

Leminski em Paris

Dois finais de semana atrás fui ver uma peça que era uma encenação de uns poemas do Paulo Leminski. Na verdade eram duas peças, a primeira de vinte e poucos minutos, na qual atuavam uns alunos (entre 9 e 14 anos) da escola da minha tia (que fez umas traduções muito boas pro francês), e a segunda foi encenada por uma mistura de uma cia de teatro daqui com uma de Curitiba.

Ao contrário do que possa parecer, colocando assim, foi bem legal =)

Em geral eu torço o nariz pra poesia lida/recitada/encenada, mas as poesias do Leminski parecem se prestar muito bem a esse papel, pois ele consegue falar umas coisas profundas ou bem sacadas com uma linguagem extremamente familiar e "simples".

Confesso também que me impressionou ver em Paris uma homenagem a um poeta que mesmo no Brasil não é muito conhecido. E o teatro tava cheio...

Nas duas peças tiveram várias poesias que gostei bastante, achei alguma delas na internet e posto aqui:


INCESSO FOSSE MÚSICA

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

***

- que tudo se foda,
disse ela,
e se fodeu toda


***

LÁPIDE 1
(epitáfio para o corpo)

Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.



Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.

***


L'ÊTRE AVANT LA LETTRE

La vie en close
c'est une autre chose

c'est lui
c'est moi
c'est ça

c'est la vie des choses
qui n'ont pas un autre choix




quinta-feira, março 04, 2010

Escalada em Paris

Depois de muitos anos, hoje eu voltei a escalar =D

Até segunda eu só tinha achado lugares caríssimos pra se escalar (tipo de 100 euros pra cima a mensalidade...). Mas aí descobri que alguns ginásios públicos de Paris tem muro de escalada. Tava meio assim porque tinha lido em alguns foruns que não era muito bom, mas depois de ver que custava 70 euros a anuidade resolvi conferir...

Me surpreendi com simplesmente o melhor lugar de escalada indoor que já fui. O lugar é ENORME e do lado de uma estação de metrô. Tem uma parede positiva, umas partes neutras e várias negativas fodonas, além de um teto que atravessa a sala toda...

Ah, e vc ainda pode usar as sapatilhas e baudriers deles. Mas como eu esqueci minha velha sapatilha de guerra no Brasil, acabei comprando uma 1) porque a deles não era muito boa, 2) porque achei uma boa e bem barata e 3) porque sei lá né, não é muito legal ficar usando sapatilha que os outros usam, afinal o pessoal de mais idade é cheio de doença no pé =)

O nome do lugar é "Grimpe13" (grimper = escalar, e '13' porque fica no 13º arrondissement, um bairro chinês). Tem umas fotos toscas aqui em baixo que eu tirei hoje...

As fotos estão ruins porque estava escuro e não quis usar flash pra não chamar atenção. E com essas três fotos ainda ficou faltando muro pros lados (além de achar que elas não dão muito noção do tamanho do lugar).

Enfim, to bem feliz de poder voltar a fazer uma atividade física depois de tanto tempo, ainda mais uma que eu adorava e que só parei porque não tinha mais lugar bom no Rio. Cansei bem rápido, mas consegui fazer umas vias que equivalem ao 5 e 6 grau brasileiro (a mais difícil foi um 6c, mas todas à vista e sem top-rope, porque lá não tem, então tem que ser guiando mesmo ;)








quarta-feira, fevereiro 24, 2010

livros

Eu que já achava que em Buenos Aires tinha muita livraria/sebo, confesso ainda não acreditar em como é aqui. Uma coisa simplesmente absurda. Não entendo como pode ter cliente pra tanta livraria...

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Shows...

Quinta e sexta tentei comprar alguns ingressos pra uns show fodas que vão ter.

Primeiro pro Broken Social Scene (21 de maio) mas já tinha acabado (é que o lugar é bem pequeno, o que deve tornar o show ainda mais foda =(

Depois fui comprar o do Silver Mt. Zion (31 março), mas ainda não tinha começado a vender...

Mas na sexta consegui comprar o que eu mais queria ver: PAVEMENT (7 de maio) =D

Tem mais uma penca de shows de bandas 'menores' que eu veria tb, se estivesse no brasil, mas que, por economia de grana, não vai rolar, como Mono, EF e Efterklang.

O do Madness (14 de maio) eu quero muito ir, mas acho que não deve esgotar, então vou esperar ainda pra comprar.

E o do Cohen (só em setembro) to estranhando porque por enquanto não tem nenhuma data pra Paris, apesar de já estar vendendo pra varias outras cidades menores. esse além do show ser bem caro (80 euros) ainda teria que comprar uma passagem de trem... mas se esse for o único jeito, vou mesmo assim.

Ah e comprei o ingresso da peça da Isabelle Huppert, apesar da crítica ter massacrado, é essa aqui da foto:


(essa é pra vc ;)

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Aula de fonética

Hoje começaram as aulas de fonética, melhor do que eu imaginava. primeiro começamos numa sala normal com quadro negro (branco) e a professora explica alguns conceitos e 'regras' da linguagem oral e depois vamos para um laboratório de fonética onde cada um tem seu fone, microfone e um aparelho que, a grosso modo, grava e reproduz sua voz e a da professora. to confiante que vai dar bons resultados =)

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

A Intruder européia





quase a mesma coisa, só muda o nome e uns detalhes.

aqui tem MUITA moto e quase que só moto foda. e todas elas ficam estacionadas e pernoitam na rua (na calçada). dá uma vontade de dar umas voltas...

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Domingo de carnaval


visita a Torre Eiffel


na volta (de onibus) tava tudo parado. quando saltei e resolvi terminar o trajeto a pé, descobri o motivo: um monte de "blocos" de carnaval. mas só com batuque, nada cantado. feito e "regido" por gringos mesmo. tinha uma animação tímida (tava bem frio) e umas pessoas fantasiadas. foi o máximo de carnaval que vi aqui. (pra quem conhece a cidade, isso é na esquina da rue du canard com a rue de rivoli (que tavam fechadas), em frente ao hotel de ville.)


ah, no mesmo dia e local teve uma pequena comemoração do ano novo chinês (a maior parece que era no bairro chines). isso aí foi um tuishou bem tosco que tavam fazendo.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

I accidentally touched my head and noticed that I had been bleeding. For how long I didn’t know...

What was this, I thought, that struck me? What kind of weapons have they got?

The softest bullet ever shot...



Flaming Lips, grande banda!
E o Soft Bulletin figura facilmente na minha lista de melhores albuns dos anos 90.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Mais uma estória de amor (#2)

O que ela mais precisa no mundo, sua maior e mais verdadeira carência, é que alguém a abrace e a segure com força enquanto ela dorme. No começo o homem não entendia, ou não se importava; além disso ele sempre achou impossível dormir com os braços ao redor de alguém. A cada noite ele ignora os pedidos dela e vira para o outro lado, dormindo de costas para ela.

Mas, a medida que o tempo passa, ele se apaixona cada vez mais profundamente, e se vê querendo e precisando dela cada vez mais. Percebendo quanto foi frio e cruel, e quantas oportunidades de fazê-la feliz ele perdeu, ele resolve que irá aprender a dormir com ela em seus braços. Por várias semanas ele pratica, abraçando com força o travesseiro contra seu peito. Nas primeiras semanas ele mal consegue fechar os olhos, mas com o passar do tempo ele consegue algumas poucas horas de sono, e finalmente aprende a dormir com seus braços ao redor do travesseiro. Ele se sente orgulhoso e excitado por finalmente poder satisfazer o pedido dela, que ele por tanto tempo ignorou.

Mas, enquanto ele se esforçou para aprender a abraçá-la enquanto dormiam, ela perdeu todas as esperanças de que isto um dia acontecesse, e conseguiu, com pouca dificuldade, excluir este desejo do seu ser. De fato, quando vem a noite em que ele finalmente coloca seus braços ao redor dela e dorme, ela descobre que agora é ela quem não consegue dormir. Ela diz isso a ele, mas parece-lhe impossível acreditar nela; e, com descrença e desespero em dar a ela alguma coisa, dar-lhe a única coisa que ele sabe que ela desejou por tanto tempo, ele insite em abraçá-la todas as noites. Finalmente, exausta e sem conseguir dormir, ela o deixa.