quinta-feira, dezembro 15, 2005

Mais uma estória de amor (#2)

O que ela mais precisa no mundo, sua maior e mais verdadeira carência, é que alguém a abrace e a segure com força enquanto ela dorme. No começo o homem não entendia, ou não se importava; além disso ele sempre achou impossível dormir com os braços ao redor de alguém. A cada noite ele ignora os pedidos dela e vira para o outro lado, dormindo de costas para ela.

Mas, a medida que o tempo passa, ele se apaixona cada vez mais profundamente, e se vê querendo e precisando dela cada vez mais. Percebendo quanto foi frio e cruel, e quantas oportunidades de fazê-la feliz ele perdeu, ele resolve que irá aprender a dormir com ela em seus braços. Por várias semanas ele pratica, abraçando com força o travesseiro contra seu peito. Nas primeiras semanas ele mal consegue fechar os olhos, mas com o passar do tempo ele consegue algumas poucas horas de sono, e finalmente aprende a dormir com seus braços ao redor do travesseiro. Ele se sente orgulhoso e excitado por finalmente poder satisfazer o pedido dela, que ele por tanto tempo ignorou.

Mas, enquanto ele se esforçou para aprender a abraçá-la enquanto dormiam, ela perdeu todas as esperanças de que isto um dia acontecesse, e conseguiu, com pouca dificuldade, excluir este desejo do seu ser. De fato, quando vem a noite em que ele finalmente coloca seus braços ao redor dela e dorme, ela descobre que agora é ela quem não consegue dormir. Ela diz isso a ele, mas parece-lhe impossível acreditar nela; e, com descrença e desespero em dar a ela alguma coisa, dar-lhe a única coisa que ele sabe que ela desejou por tanto tempo, ele insite em abraçá-la todas as noites. Finalmente, exausta e sem conseguir dormir, ela o deixa.

domingo, novembro 13, 2005



Mais uma apologia à velocidade que mata: "desafia as leis da física: gruda no chão e voa ao mesmo tempo". Só faltou dizer que destrói obstáculos (vivos ou não) sem prejudicar a saúde de quem dirige. "Air bags", carros que absorvem impacto, cintos de segurança, milhões de dólares em pesquisa: tudo para zelar pela integridade do motorista. Se você está do lado de fora, é melhor se cuidar para não ser atingido pelas duas toneladas que "voam" de 0 a 100km/h em 5,7 segundos.

Isso sem falar dos vidros pretos: as películas que escurecem o vidro são proibidas na intensidade mostrada no anúncio. De acordo com a resolução do Contran, a transparência do vidro (de dentro para fora) não pode ser reduzida em mais de 25% no para-brisa e 30% nos vidros laterais. Que atire a primeira pedra quem já viu algum veículo sendo multado por esta infração.

No feriado, dirigi pela primeira vez um carro com vidros escurecidos. Mesmo seguindo a lei, o escurecimento do vidro atrapalha (e muito) a visibilidade do motorista. Olhar nos retrovisores laterais torna-se um ato heróico. Além disso, os vidros pretos impedem a comunicação entre motoristas, pedestres e ciclistas: fica impossível sinalizar para o pedestre que ele pode atravessar a rua, agradecer o ciclista pela passagem cedida e outros atos necessários para a convivência nas ruas.

(extraído do blog apocalipsemotorizado.blogspot.com . blog altamente recomendado)

sexta-feira, novembro 04, 2005

Comandos em Ação, New Generation!



(clique na foto para ver em detalhes)

domingo, outubro 09, 2005

Eu fico viajando na possibilidade de ter sido escrito pensando em mim. Maravilhosa e enganadora possibilidade...

De te fabula.

Acho que eu levei a sério demais (a ponto de distorcer) este ditado latino que diz porque gostamos de estórias: porque todas elas são sobre você.

(isso nada tem nada a ver com o que acabei de postar abaixo, foi apenas uma coincidência temporal)
Então, você se tornou cínico, cético? Você não acredita mais no Governo, na televisão ou na Coca-Cola? Nós estamos perfeitamente felizes em parodiar a nós mesmos, em insultar a nós mesmos, até mesmo explicar nossas horríveis intenções, nossos perniciosos acordos em detalhe... contanto que isto matenha sua atenção. Nós temos programas de televisão, anúncios, e tiras de quadrinhos especialmente desenhados para aqueles que nem você, que não confiam mais na gente. Tudo para mantê-lo assistindo, tudo para mantê-lo comprando.

Nós brincamos com seu cinismo, ganhando dinheiro com ele, encorajando-o. Você pode saber que não deve mais confiar na gente, mas contanto que o mantenhamos encantado com nossa ironia e auto-depreciação, você não estará apto para conceber qualquer alternativa. Ao invés de ter o idealismo para lutar contra o status quo, você vai se juntar à fileira dos Dilbert-niilistas, incapaz de acreditar em qualquer coisa, mas ainda interpretando o seu papel no sistema do desespero.

sexta-feira, setembro 23, 2005


- Sempre se sente forçado a explicar seus atos, como se fosse o único homem no mundo a errar. É seu sentimento de importância. Você tem isso em alto grau; também possui história pessoal demais. Por outro lado, não assume a responsabilidade de seus atos; não está usando a morte como sua conselheira e, acima de tudo, é acessível demais. Em outras palavras, sua vida é uma confusão tão grande quanto era antes de eu conhecê-lo.

sábado, setembro 17, 2005

Imagine a sua vida sendo apresentada em um palco como uma peça de teatro.


Será ela uma comédia, uma farsa, uma saga, uma novela mexicana, uma tragédia?


Seja a platéia assistindo a sua peça. O que você faz?


Aplaude, chora, vaia, ri, dorme entediado, exige seu dinheiro de volta?




(...)

quarta-feira, setembro 14, 2005



Quando a água sufoca com que a faremos descer?



domingo, setembro 04, 2005


Certo homem-deus tinha a habilidade de satisfazer cada desejo e vontade de sua mulher. Mas o único desejo dela era que ele não fosse capaz de lhe dar tudo o que desejava, que ele não fosse capaz de satisfazer todas as suas vontades. Finalmente, após uma longa disputa, ele de má vontade e sem a mínima compreensão, satisfaz este único desejo dela. Então, ele descobre que sem os poderes de um deus, ele é incapaz de encontrar qualquer satisfação no relacionamento. Por fim, ele a deixa para procurar outro lugar onde possa ser Deus.

Este homem está mais confuso com o que aconteceu do que nós, que vemos de longe.